sexta-feira, 6 de agosto de 2010



Eu queria ser mãe, queria ser mão pra quem precisa; queria não precisar tanto de coisas que, no fundo, não fazem bem pra mim. Queria que o mundo fosse menor, que as distâncias fossem mais fáceis de ser percorridas pra que eu pudesse estar o tempo todo há dez minutos caminháveis de todo mundo que eu gosto.
Mas hoje, e só hoje, o que eu queria era muito mais simples do que toda essa dúvida eterna que eu carrego como fardo, mesmo às vezes largando em algum cantinho que eu sempre volto depois pra buscar. Hoje, e só hoje, eu queria olhar pra você e enxergar de novo aquele cara por quem eu fui capaz, mesmo que brevemente, de apagar todos os meus pontos de interrogação. Aquele cara que era, no meio de tantas dúvidas, a única certeza; o cara que fazia de mim uma mulher melhor.
O meu coração está barulhento, está machucado, está se sentindo sozinho. E olha como a vida é engraçada, meu amor. Eu sempre chorei as mágoas de um coração que sangrava por estar assim, vazio, oco, sem ninguém. Mas eu nunca poderia supor, nem nos meus sonhos mais delirantes de idealista de um amor que nunca vai existir, que chorar as dores de um coração que dói acompanhado podia ser assim, tão pior.
Rani Ghazzaoui